...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
26
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?».

Diante de Jesus que Lhe respondemos? E que é que dizemos d'Ele? E como dizê-l'O a Ele na minha, na tua, na nossa vida?

O ministério de Jesus começa a dar sinais ambíguos quanto ao desfecho final. N'Ele é visível o amor de Deus como Pai. A Sua delicadeza há de levá-l'O à morte!

O messianismo de Jesus segue uma dinâmica muito própria: amor, serviço e perdão, proximidade e misericórdia. O messianismo esperado era bem diferente: poder, morte, destruição, substituição de uns pelos outros, revolução pela força.

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2 – «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Será que Jesus tem curiosidade acerca da opinião pública? Não temos todos? Alguns vivem em função disso e uma opinião desfavorável tira-lhes o sono; para outros é algo de secundário, ainda que sirva de referencial para corrigir posturas e/ou desvios. Todos, no entanto, gostamos de ser bem vistos! Há quem pense pela própria cabeça e quem espere para saber qual a opinião dos outros para formular a própria opinião. O ideal talvez se encontre a meio caminho!

«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Que responderíamos hoje a Jesus? É o Filho do Homem? O carpinteiro? Um revolucionário? Uma pessoa importante do passado? Os discípulos foram meigos a responder: «Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». A amizade fê-los filtrar a informação. Por vezes precisamos de amigos assim, sobretudo quando a informação é desnecessária e desonesta.

 

3 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

Aquilo que estranhos ou conhecidos dizem a nosso respeito é relativo e, de certa maneira, dispensável. Não nos deveria tirar o sono. Já a opinião dos que estão à nossa volta, familiares, amigos, pessoas com quem trabalhamos é muito mais importante, pois ajuda-nos a caminhar, a crescer, a corrigir erros, a colmatar insuficiências.

Quem é Jesus para mim? Que relevância tem na minha vida, nas minhas decisões? A minha vida é diferente por conhecer, por seguir Jesus? No meu dia-a-dia há alguma diferença por ser cristão?

Na abordagem de D. António Couto, Bispo de Lamego, o questionamento cola-nos à profissão de fé, isto é, o que é que dizemos acerca de Jesus. Pedro responde em seu e nosso nome: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». É o credo cristão dito pelos lábios de Pedro. É um dizer novo, diferente, atual, presente. Antes, dizia-se, os outros dizem! Agora somos nós que dizemos Jesus, que O anunciámos, que O vivemos, que O transparecemos nas nossas palavras, na nossa vida. Este DIZER é para agora e não é uma retransmissão, somos nós a implicar-nos com Jesus, é a nossa identidade cristã; é Deus a inspirar-nos. «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus». Antes de dizermos Jesus, Cristo, Filho de Deus, é Deus que nos diz, que nos revela: Este é o Meu filho muito amado, escutai-O. O que dizemos não vem de nós, mas vem através de nós; não vem de fora, mas de dentro; não vem dos lábios, mas do coração, vem de Deus que habita em nós, no nosso coração.

 

4 – No Evangelho, através de Pedro, Jesus confia-nos a missão de abrirmos as portas do Seu Reino de amor: «Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

É um "poder" que implica riscos mas sobretudo responsabilidades pelos outros. Cada um segundo a sua missão, com responsabilidades diferentes, mas todos havemos de prestar contas, como se vislumbra também na primeira leitura. Se não conduzirmos os outros a Jesus Cristo, pelo menos não os impeçamos de prosseguirem! Se não abrimos portas e janelas, não criemos muros, saiamos da frente!


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 22, 19-23; Sl 137 (138); Rom 11, 33-36; Mt 16, 13-20..
 

 

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19
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 16:04link do post | comentar |  O que é?

1 – A Palavra de Deus deve iluminar a realidade concreta, apontando caminhos, comprometendo os cristãos que a escutam. Hoje, vendo como Jesus lida com "os outros" que não pertencem ao povo judeu, sugere-me que partamos do momento que se avizinha em Portugal: a campanha eleitoral para as eleições autárquicas.

Vale a pena repescar as palavras do Papa Francisco: «Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão... os cristãos não podem fazer de Pilatos, lavar as mãos... Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum... Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil... A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão».

A política é coisa boa. É o cuidado da polis (= cidade), o serviço aos cidadãos. É um elevado serviço de caridade quando procura o bem comum (não o bem individual, particular, privado, ainda que se exprima no serviço a pessoas concretas), o bem de todos, discutindo ideias e projetos para melhorar a vida das pessoas.

Infelizmente, muitas vezes vemos discutir pessoas e não projetos. "Nós fizemos", "Nós prometemos", "Eles não cumpriram", "Nós vamos cumprir"... O nosso grupo tem todas as qualidades... os outros são falsos, mentirosos, maus... E, no final, o que importa é favorecer os que nos ajudaram na eleição, os outros que aguardem mais quatro anos ou então que nos tivessem apoiado!

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 2 – Os discípulos de Jesus vivem (ainda) nesta dinâmica: o nosso grupo, os nossos, os que andam connosco. O Messias de Deus é nosso, pertence-nos, temos o exclusivo. Os milagres que fizer hão de beneficiar os nossos, os do nosso povo. As palavras que Ele disser são-nos dirigidas, a não ser que sejam para maldizer os outros, os estrangeiros, os que estão para lá do nosso grupo.

Contrariamente ao que seria expectável, Jesus mantém-se em silêncio (exterior) diante da investida desta mulher: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».

Os discípulos estranham a posição do Mestre. Esta mulher tudo fará para reaver o filho, para o reconquistar para a vida. Sujeita-se ao ridículo, a ser olhada de esguelha, sujeita-se a uma humilhação pública. Mas que lhe importa? O importante é a saúde e a vida do filho. Até pode morrer, mas que o filho seja salvo! Os discípulos parecem incomodar-se mais com a sua gritaria do que com o seu sofrimento!

 

3 – Na resposta aos discípulos, Jesus diz-lhes que não foi enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Porém, esta Mãe não desiste e insiste, prostrando-se aos pés de Jesus: «Socorre-me, Senhor». Parece que Jesus não se comove! O que contraria o que está contido nos Evangelhos: a Sua delicadeza e proximidade às pessoas mais frágeis, pobres, doentes, mulheres, crianças, publicanos e pecadores! Então que se passa com a reação de Jesus? Assume a nossa postura para que nós nos ponhamos do lado de quem sofre e assumamos a Sua postura: amor ao serviço dos mais desfavorecidos.

Convertamos em pergunta a resposta dada por Jesus àquela Mulher: "Será justo tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos?". Entramos na pedagogia de Jesus que nos desafia. A Mulher cananeia ajuda-nos a responder ao questionamento de Jesus: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».

Jesus mostra que a salvação não se destina a um grupo ou a um povo, mas destina-se a todos. A fé é a única exigência para a cura, para a redenção. Fé que se torna humildade diante de Deus e predisposição para acolher o Seu amor, o Seu perdão e a Sua cura. É na fé amadurecida desta mulher que Jesus opera a cura da sua filha.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

 

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15
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 08:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu – verdade de fé confirmada pelo Papa Pio XII, a 1 de novembro de 1950, a partir da sensibilidade, do sensus fidei, do povo de Deus, que há muito considerava que Àquela que acolheu o Filho de Deus, gerando-O e dando-O ao mundo, sem nunca se desligar do filho, teria que estar onde está o filho, na eternidade do Pai, sem experimentar, nem no início (Imaculada Conceição) nem no fim (ressurreição, Assunção) a corrupção do corpo – celebra a certeza que Deus não desiste de nós e não nos quer perder nem no tempo nem na eternidade.

Jesus, o Filho bem-amado do Pai, é enxertado na história, para caminhar connosco e nos fazer caminhar com Ele.

Sem forçar, Deus conta connosco. Desafia Maria e espera a sua resposta. Ao responder ao chamamento de Deus, Maria torna possível um novo avanço na Aliança de Deus com o Seu povo. Já não mensageiros, já não à distância, mas na própria carne humana. Deus torna-Se, com propriedade, Emanuel, Deus connosco.

O Sim de Maria compromete-a e a nós também. É um SIM que se traduz em muitos sins, repetidos, atualizados, novos. A vida também é assim, quem diz sim, di-lo para cuidar, para proteger, para servir. Não se ama num sim que se esvai na memória, ama-se num sim que se renova em gestos, em palavras, em cuidado e ternura, e nas carícias do olhar e do sorriso, do beijo e do afago e do abraço. É essa a resposta de Jesus a uma mulher que o interpela – «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito»«Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

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2 – A vida eterna inicia com a vida terrena. Não há quebras, ainda que haja novidade. A vida é gerada desde sempre para não se perder. Essa é a vontade de Deus e de quem ama. Quando se ama quere-se que perdure o amor, a pessoa amada e a ligação.

Jesus precede-nos como primícias (= primeiros frutos da terra). Ele ressuscita primeiro, depois nós. Em Maria, começa-se a cumprir a promessa. Ela é assumpta por Deus para sempre. Ela que nunca Se afastou de Jesus, é elevada para junto d'Ele na eternidade. Para nós, a postura constante de Jesus: alimentar-Se da vontade e da presença do Pai. Para nós, o exemplo de Maria, que em tudo procura enaltecer as maravilhas do Senhor, dando Jesus, apontando para Jesus: Fazei tudo aquilo que Ele vos disser. É feliz todo aquele que escutar a Palavra de Deus e a traduzir em vida, em serviço e amor. Inicia-se no tempo o que será na eternidade: a comunhão plena com Deus.

Rezemos para que Deus, que elevou «à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria» nos conceda «a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória».

Com os olhos fitos em Jesus e na Bem-aventurada Virgem Mãe, com os pés bem assentes neste chão e nesta terra, com o coração bem ligado aos outros, com as mãos livres para abençoar, para abraçar, para trabalhar, para levantar; para acolher (a bênção e os dons de Deus) e para partilhar (tudo quando recebemos de Deus como dom, para que se multipliquem na dádiva); com as mãos livres e estendidas para Deus, com as mãos abertas e libertas para os irmãos.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

 

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12
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 23:21link do post | comentar |  O que é?

1 – Ainda que caminhemos por entre escombros, não precisamos que nos substituam, mas que nos estendam a mão, caminhem ao nosso lado; precisamos de uma luz, ainda que seja ao fundo do túnel, um objetivo, uma razão para lutar, uma meta a atingir, um sentido que nos mova a prosseguir.

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2 – No Evangelho do domingo passado (não fosse a festa da Transfiguração), Jesus realiza o milagre da multiplicação e da partilha do pão e do peixe. A multidão é a destinatária do ensino e dos gestos de Jesus. Porém, a atenção para com os discípulos mantém-se: eles são chamados a intervir, a dar de comer à multidão, a arranjarem uma solução concreta e possível, a distribuírem/partilharem o alimento e a recolherem as sobras, para que nada se perca.

Estando mais perto de Jesus, os discípulos têm o privilégio de O conhecer melhor, de O escutar com mais atenção, de beneficiarem das Suas explicações. Porém, quanto mais informação, quanto mais poder, mais a responsabilidade. Jesus compromete os discípulos no anúncio do Evangelho e na prática da caridade.

Essa proximidade que liga os discípulos a Jesus fortalece-os, e a nós também, para as tempestades da vida, para os desertos, para as invernias, para as trevas. Depois da multiplicação dos pães, Jesus permanece junto da multidão a despedir-se das pessoas. Os discípulos vão indo para a outra margem.

Há outro hiato de tempo que é recorrente, Jesus sobe ao monte para orar, para melhor escutar o Pai.

Regressa para junto dos discípulos na quarta vigília da noite. Ao vê-l'O os discípulos pensam que estão a sonhar, que estão a ver um fantasma. À noite todos os gatos são pardos. Jesus caminha sobre o mar, tranquilamente. Assustaria qualquer um. Por certo não é uma partida de crianças mas a certeza de que não há barreiras para Jesus vir ao nosso encontro, em nosso auxílio. Como então, Jesus estende-nos a mão, mostra-Se, garante-nos que está. Temos que O ver também durante a noite, quando as trevas se adensam.

 

3 – Pedro, sempre ele, quer imitar Jesus. E imitar Jesus é coisa boa, é bom sinal. É um desejo que também devemos ter. Mas Pedro lá acaba por se fixar mais nas suas fragilidades e limitações que em Jesus. Mais vale quem Deus ajuda que quem muito madruga. Podemos fazer tudo bem, mas se é apenas por nós, para nós, se nos apoiamos somente nas nossas capacidades, como se fôssemos deuses, tornando-nos o centro, mais tarde ou mais cedo vamos ao fundo. Da mesma forma, não avançamos se for o medo a controlar-nos, o medo de falharmos, o medo de não sermos aceites, o medo de sofrermos…

Vem. Avança. Podes confiar. Pedro vai, com o olhar fito em Jesus. Vai bem, até que olha para baixo e começa a afundar-se. É como as vertigens, quem as tem, só tem que olhar para cima, para a frente, e seguir, pois no momento em que olha para baixo vacila. Se Pedro se tivesse fixado em Jesus e na Sua voz, a violência do vento passaria para segundo plano.

Pedro dá-nos ainda outra lição importante: a humildade, o reconhecimento das próprias fragilidades, a humildade que se volta para Jesus. «Salva-me, Senhor». Só Tu, Senhor, me livras das minhas quedas, dos meus medos. Só Tu, Senhor, podes ser luz e sentido e meta para eu caminhar seguro! Vem e socorre-me, Senhor, do meu egoísmo, do meu pecado e do meu orgulho, que são peso que me afunda. Liberta-me, concede-me a capacidade de amar, de acreditar, de confiar, de me gastar a favor dos outros, o gosto de servir e cuidar, para me tornar leve, tão leve que seja capaz de caminhar por cima do mar.


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 19, 9a. 11-13a; Sl 84 (85); 2 Rom 9, 1-5; Mt 14, 22-33.

 

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08
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 16:28link do post | comentar |  O que é?

ALDOUS HUXLEY (2013). Admirável Mundo Novo. Lisboa: Antígona. 320 páginas.

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Como o próprio título quer indicar, o livro apresenta um admirável mundo novo nas palavras e na "resignação" de quem o lidera. No prefácio à obra na edição de 1946 o autor sublinha que não altera o que escreveu vinte anos antes, ainda que tenha havido algumas mudanças tecnológicas.

É um mundo criado pela ciência, com a capacidade de "criar" pessoas e moldá-las desde a gestão para aquilo para que se destinam. Diríamos que seria a instauração das "castas" a partir da incubação e não através da convenção e da cultura. Por certo o autor apresenta um futuro marcado pelo totalitarismo "genético", em que as vontades se subjugam ao todo e a verdade é escravizada e secundarizada a favor da felicidade, do bem estar, do conforto.

O pessoal não existe, todos pertencem a todos. Cada um, ou cada classe de pessoas, tem a sua tarefa e tem o seu lugar decidido na sociedade. Pensar, refletir, discutir, agir em conformidade com a sua consciência está fora de questão. Todos pertencem a todos. Todos trabalho em prol da estabilidade de mundo. Com recurso à ciência é possível criar pessoas perfeitas que morrerão com a mesma fisionomia e juventude. Evita-se a paixão e os sentimentos intensos. A soma é uma droga com várias finalidades, dormir, estar alegre, esquecer, divertir-se. Até a relação sexual aparece numa perspetiva social, havendo compridos para potenciar a relação sexual que não deve ser exclusiva nem reprodutiva, precisamente para que não haja laços fortes que poderiam estragar a estabilidade. As crianças são produzidas em laboratório, em sentido absoluto, desde a geração/gestação, até aos princípios que a devem reger: se nasce para ser alfa ou beta, é industriado para se sentir bem consigo mesmo, auto-elogiando-se pela inteligência e pela pertença àquele grupo. Mas se for de um grupo inferior é treinado desde o berço para se sentir feliz com a sua condição, sem se questionar.

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O cristianismo e a religião são coisas do passado. Ainda que haja quem se lembre e de quem se interrogue... mas convém afastar essas pessoas para que não inquietem as outros, com o perigo de gerar algum transtorno á sociedade do bem-estar e do conforto. é um totalitarismo que resultou da conformação e dos conflitos. As pessoas preferem a estabilidade, então, dá-se-lhes o que pedem, mas subtrai-se-lhes a liberdade, o livre-arbítrio. Escondem os livros do passado, como a Bíblia ou Shakespeare, podem ser leituras subversivas. Aqueles que sonharam ser livres facilmente acabaram por se conformar à situação presente.

É uma leitura muito interessante, que nos fala do passado, do presente e do que poderá ser o futuro. Quantas vezes a liberdade foi comprada com pão? Lembremos a saída do Egito. O povo eleito caminha livremente pelo deserto, mas quanto a fome aperta esquece-se da liberdade e do libertador e quer é voltar a encher o estômago!

No desenrolar da história somos levados ao mundo selvagem onde as pessoas amam, odeiam, se apaixonam, geram filhos e geram vidas, envelhecem e têm "superstições". A redenção para eles não está a acessível, vivem no mundo exterior, têm tradições que matam, têm dissabores, vivem em liberdade, têm deuses. O contacto com os selvagens é arriscada, só se for por uma questão de estudo, para se chegar à conclusão que é um submundo ou por questões turísticas.

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No final da obra, no selvagem que veio até ao mundo civilizado, isto é, o admirável mundo novo onde não se envelhece, onde não se tem opinião própria nem vida própria, onde tudo se usufruir mediante um comprimido, no selvagem e na sua estranheza deteta-se ainda assim a curiosidade muito humana, a coscuvilhice, a vontade de ver o sangue dos outros... A ciência era promotora da liberdade, da investigação, da procura da verdade... mas neste admirável mundo novo, a que se chegou pela ciência, recusa-se qualquer inovação que coloque em causa o bem-estar de todos, qualquer discussão ou opinião própria...

Recomendo vivamente este livro que logo me fez lembrar do mito das cavernas, de Platão, um mundo que vive nas sombras e que descobrem que há um mundo das ideias, um mundo luminoso. Falta saber qual é o mundo luminoso, o selvagem da paixão, do amor e da vida, da fragilidade, da doença e da morte, ou o mundo admirável da ciência do bem-estar e do conforto, da renúncia à verdade e à liberdade. A propósito, vale a pena ler também "A Caverna", de José Saramago, no qual o autor português apresenta também um mundo "comercial" formatado, acessível e comprável, pronto para responder às necessidades de cada um como se foram um grande centro comercial, mas uma vez mais sem espaço para a paixão ou a vida própria.

Resta agradecer ao seminarista, o Diogo, que me ofereceu esta belíssima obra no final do seu trabalho pastoral em terras de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo.


05
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 19:49link do post | comentar |  O que é?

1 – «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Jesus toma conSigo Pedro, Tiago e João e sobe com eles a um alto monte, lugar privilegiado para encontrar-se com Deus.

Jesus retira-se muitas vezes para a montanha, para lugares ermos, para o deserto. Lugares onde se sente mais a sós com o Pai. Em momentos-chaves, a intimidade de Jesus com o Pai é reforçada, para que a firmeza O conduza à missão de transparecer o Reino de Deus.

Os escritores sagrados dos primeiros tempos sublinham o olhar de Jesus, profundo, luminoso, um olhar que cativa e atrai. É uma luz que vem dentro, do coração, que vem do alto, que vem do Pai.

É esta a luminosidade que transparece em Jesus. Na Transfiguração, Jesus deixa ver mais claramente a intimidade com Deus Pai. Luz, mais luz, mais luz, que também nos trespassa, que também nos ilumina, enchendo-nos o coração de luz. O coração e a vida. Cabe-nos, como àqueles discípulos, fazer com que a Luz que nos vem de Jesus, ilumine o nosso caminho.

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2 – Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Quando estamos bem, quando nos sentimos em casa, o tempo passa célere, nunca é noite, é sempre dia, há sempre luz. Há momentos de sol e de chuva, de bonança e de tempestade. Quando chega a bonança, descansamos da ansiedade, do medo, do desgaste, para nos fortalecermos para o que possa vir a seguir.

O contexto da Transfiguração de Jesus evoca a vida como ela é. Há uma primeira evidência: Jesus aponta para o Pai, para que nos momentos mais sofríveis não nos esqueçamos d'Ele e da Luz que há em nós. Antes, Jesus revelara aos discípulos o que Lhe estava destinado: o Filho do Homem vai ser entregue às autoridades, vai ser julgado e vai ser morto. Jesus logo acrescenta que três dias depois de morto voltará à vida. O estrago já estava feito e os discípulos já não ouvem este novo dado. É como nós, dão-nos uma boa notícia e outra má, a notícia negativa ocupará toda a nossa atenção.

Depois deste anúncio, Jesus leva os discípulos mais próximos ao alto da montanha e transfigura-Se diante deles, sinalizando a vida em comunhão plena com Deus Pai, apontando para a vida definitiva.

 

3 – Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Antes do fim há ainda muita vida, muito caminho a percorrer. A eternidade, a ressurreição, inicia no tempo presente, no compromisso histórico com todos os que seguem connosco. Em Jesus, há um reino a germinar, um projeto em andamento, um vida a florir. Antes, Moisés e Elias, que confluem para Jesus. Ele resume, assume e pleniza as promessas feitas por Deus ao povo eleito. Chega agora o tempo de escutar e de seguir outro Mestre: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

Como no Batismo, Deus declara a Sua afeição pelo Filho, convocando-nos a todos para O escutar e para O seguir. Não há tempo a perder. São horas de partir e de seguir Jesus: «Levantai-vos e não temais». Quando os discípulos olham novamente, veem apenas Jesus, caem na realidade. Jesus desperta-os do assombro, para que desçam ao mundo concreto e deixem a ressurreição dos mortos para Deus, para quando chegar a hora de Se manifestar em plenitude.

 

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A):  Dan 7, 9-10. 13-14; Sl 96 (97); 2 Pedro 1, 16-19; Mt 17, 1-9.
 
 


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