...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
30
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 22:35link do post | comentar |  O que é?

1 – A felicidade na pobreza é um desafio e um compromisso de quem considera os outros uma prioridade porque neles está impressa a imagem de Deus. A pobreza liberta-nos de nós, do nosso egoísmo e do auto endeusamento. Pobreza, neste sentido, é a humildade de quem se reconhece a caminho, a necessitar de salvação, de ajuda, da presença do outro. De quem se abre a Deus e aos outros.

O contrário de pobreza é avareza. Prepotência. Ganância desmedida. Egoísmo.

A pobreza em espírito caracteriza-se por usar os recursos e os bens materiais como meio para viver em segurança e em dignidade, aproximando-se dos outros. Dispor dos bens para viver e para a ajudar os outros a viverem com dignidade. Quando a riqueza material serve para contendas sem fim, disputas, violência, quando serve para anular ou destruir os outros, é diabólica!

A riqueza fecha-nos o coração e a vida. O dinheiro ou os bens materiais não são mal ou bem em si mesmos, o uso que fazemos deles é que pode ser moralmente condenável ou assomar bondade.

Defender a pobreza do evangelho para justificar a existência de pobres e não se comprometer na procura de soluções, é pecado que brada aos céus. Mas também a cobiça pelos bens dos outros, quando estes os conseguiram com trabalho, honestidade e justiça. Há pobres e ricos gananciosos e há pobres e ricos generosos.

Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino de Deus. Não é para justificar a pobreza. Pelo contrário, ser pobre, ao jeito de Jesus, implica que nos façamos pão e vida para os mais pobres, como Ele fez. Dai-lhes vós de comer. Como Eu vos fiz, fazei-o também uns aos outros. O que fizerdes ao mais pequeno dos irmãos é a Mim que o fazeis. Dar de comer a quem tem fome, é uma das obras de misericórdia que nos implica. Em tudo, a grande riqueza é a sintonia com o Pai, fazendo a Sua vontade.

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2 – Certamente depois de ouvir Jesus a falar de despojamento, de partilha, de serviço aos demais, um homem aproximou-se para O convocar a resolver os seus problemas: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».

Tenho a impressão que Jesus não veio resolver os problemas de ninguém. Explico. Jesus não nos substitui, não vive a vida por nós. Por conseguinte, a nossa oração a Deus não é para que nos ajude a derrotar os outros, dando agora o exemplo do futebol e lembrando o testemunho do selecionador nacional, mas pedir a Deus a humildade para persistir, a sabedoria para buscar as melhores soluções e a persistência para fazer boas escolhas, pois nem o Fernando Santos ia para dentro de campo jogar nem Deus ia meter golos na baliza da equipa adversária. Ou como dizia o professor João Paiva: «Vi gente a comemorar a vitória de Portugal sobre França com imagens de Nossa Senhora e terços… ocorre-me imaginar Nossa Senhora a contabilizar 11 milhões de Aves Marias, do lado de Portugal, 30 milhões de Aves Marias, do lado francês, imagino Lurdes contra Fátima...»

Jesus desafia-nos ao melhor de nós mesmos e a buscarmos nos outros a presença de Deus, mas não se faz árbitro das nossas disputas. «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?».

No seguimento da resposta, Jesus acrescenta, dizendo a todos: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». Quando os bens materiais substituem as pessoas, estamos a caminho da desumanização.

Vale a pena escutar e refletir a parábola de Jesus: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: ‘Que hei de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’. Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».

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Textos para a Eucaristia (C): Ecl 1, 2; 2, 21-23; Sl 89 (90); Col 3, 1-5. 9-11; Lc 12, 13-21.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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23
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A vocação primeira do cristão é apaixonar-se por Cristo e segui-l'O. Ele segue à frente, adianta-Se, aponta-nos a meta, a direção e o quanto temos ainda que percorrer, para não afrouxarmos! Quando os nossos passos se tornam vacilantes, inseguros, Jesus volta-Se, espera por nós, vem até nós dar-nos ânimo para retomarmos o caminho.

A oração é o combustível que nos dá a vitalidade para enfrentarmos as adversidades, a humildade para nos reconhecermos pecadores, a sabedoria para aceitarmos que é a Sua mão que nos leva à felicidade, a pobreza para nos enriquecermos com a Sua graça.

O Evangelho de Lucas mostra-nos Jesus, recolhido, a orar.

Os discípulos são contagiados pela postura orante de Jesus, pedindo-Lhe que lhes ensine a rezar. Jesus deixa claro que não são precisas muitas palavras, é imprescindível sintonizar o coração – pensamentos, intenções, propósitos – e a vida – serviço aos outros, luta pela justiça e pela paz, compromisso com os mais frágeis – com o coração e a vida de Deus.

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2 – A oração torna-nos íntimos de Deus e cúmplices uns dos outros. Jesus ensina-nos a rezar: «Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação».

Se rezamos a Deus reconhecendo-O como Pai, assumimo-nos como filhos. Encaixa aqui o pedido do Pão nosso de cada dia. Se o pedimos ao nosso Pai, não o pedimos só para nós, teremos que o pedir para todos os Seus filhos, para os nossos irmãos.

Jesus faz-Se Pão e Vida para nós. Para todos. Jesus é partilhável. Como Seus discípulos, também nós teremos de nos fazermos pão e vida uns para os outros e cuidar que a ninguém falte o necessário para viver com dignidade e em segurança.

 

3 – Deus não nos deixará sem resposta. A oração dilata o nosso coração e sintoniza-nos com Deus. Coloca-nos em atitude de escuta. A oração é um diálogo com Deus. Falamos a Deus e Deus fala-nos. Deus conhece-nos intimamente. Melhor que nós mesmos. Sabe do que precisamos. Não precisamos de dizer muito. Precisamos de nos dizer. Precisamos de perceber a vontade de Deus, escutando-O.

Haverá ocasiões em que sobrevirá a dúvida… Deus não atenta contra nós. Não nos exige sacrifícios que nos anulem e nos desumanizem, exige-nos, isso sim, como Pai, que nos tratemos como irmãos cuidando sobretudo dos mais pequeninos. Nessa ocasião estaremos a cuidar de Jesus Cristo. “Sempre que fizeste isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizeste” (Mt 25, 40).

Jesus convida-nos a resistir na oração, confiando em Deus. Se um amigo nos atende pela amizade ou pelo incómodo, quanto mais Deus que é nosso Pai. «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á».

Deus responder-nos-á como Pai e tudo fará para nos abençoar, proteger e guiar à felicidade que a todos integra como família.

 

4 – É expressiva a oração de intercessão de Abraão. Em primeiro lugar, vê-se com clareza como Abraão confia em Deus e na Sua misericórdia. Pede. Sugere. Negoceia. Não para si, mas para os outros. A oração irmana-nos e leva-nos a querer o bem de todos.

Abraão não cessa de interceder, apelando à compreensão e à benevolência de Deus. E se houver 50 justos na cidade? E se houver 40? «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez: talvez haja lá trinta justos... vinte justos... talvez lá não se encontrem senão dez». A resposta de Deus é elucidativa: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade». No final nem 5 justos! Uma cidade onde impere a injustiça, o egoísmo, a corrupção e a prepotência desembocará inevitavelmente em desgraça e destruição!

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Textos para a Eucaristia (C): Gen 18, 20-32; Sl 137 (138); Col 2, 12-14; Lc 11, 1-13.

 

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16
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 16:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Não de qualquer jeito, mas segui-l'O imitando-O. Para O seguirmos precisamos de estar perto d'Ele, escutando-O, sentindo o bater do Seu coração, cruzando o nosso com o Seu olhar, fazendo com que o Seu sorrir passe para o nosso rosto, que as Suas palavras saiam dos nossos lábios, para multiplicarmos os Seus gestos de ternura, de perdão e de amor, de proximidade e delicadeza, de misericórdia e de serviço.

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2 – Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

 

3 – O evangelho familiarizou-nos com a vocação, o seguimento, o envio e as exigências para sermos autênticos discípulos de Jesus. O tempo dirá da nossa maturidade e persistência, da nossa fidelidade e propósito, da nossa conversão permanente e adesão a Cristo . Como o ouro no crisol, também nos vamos moldando para fazermos emergir em nós a imagem e a presença de Cristo Jesus.

Jesus deixa claro a prioridade do discípulo: a proximidade e a escuta. É necessário não O perder de vista. Segui-l'O, deixando que Ele nos guie e não o contrário. Não nos podemos colocar à frente, como quereria Pedro, sob risco de provocarmos um eclipse. Somos mais lua do que sol. Somos discípulos e não mestres. A luz não é a nossa. É Cristo. A palavra não é a nossa. É Cristo. A projeto não é nosso. É o reino de Deus, visualizado na pessoa de Jesus Cristo. A vontade a realizar não é a nossa, mas a de Cristo, a de Deus.

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4 – “Faz isso e viverás”. “Vai e faz o mesmo”. São respostas de Jesus ao doutor da Lei. O mandato é para agir em conformidade com o que se sabe, com o que se diz.

Marta anda atarefada. E bem. Para acolher bem Jesus. Para Lhe agradar e aos seus discípulos, fazendo com que se sintam em casa. Maria faz o mesmo, fica sentada a ouvir Jesus. Oração e trabalho (ora et labora – a máxima de São Bento, Padroeiro da Europa e que celebramos a 12 de julho). Completam-se. A oração implica-nos com seriedade no trabalho. O trabalho pode tornar-se uma forma de oração, quando nos aproxima dos outros e nos faz transformar o mundo.

Se agimos sem a ligação a Jesus Cristo corremos o risco de instrumentalizar os outros e de desanimar diante das dificuldades.

Jesus precisava de se alimentar e de descansar. Mas precisava muito de se sentir em casa e não ser mais uma peça de mobília. Há tanta coisa que nos dispersa. Alguém chega e a azáfama continua. E quem chega pode sentir que está a dar trabalho como convidado ou até estranho e não como membro da casa e da família.

Devemos dar o melhor de nós mesmos, mas a prioridade é a pessoa que nos visita. Marta anda de um lado para o outro, como uma barata tonta. Não está concentrada nem no trabalho nem em Jesus. Está incomodada com o que os outros não fazem. Quer a atenção só para ela e para o que está a fazer. O centro é Cristo, que chegou e que importa acolher e amar. Jesus aprecia o trabalho e a dedicação de Marta. Mas o trabalho a contragosto nem rende. Percebemos que nos tornamos um estorvo, ainda que a pessoa não o faça por mal.

Maria faz-se casa para Jesus. Mais importante que o espaço é o tempo e a qualidade do mesmo. Há lugar para Marta e para Maria em nós, na Igreja e na sociedade. Como cristãos sabemos a primazia para vivermos e darmos Jesus Cristo: primeiro há que O acolher, pela oração, pela escuta e meditação da Palavra de Deus. Não podemos dar o que não temos. A luz que há em nós é Jesus. Se nos distanciamos d'Ele, escurecemos e Ele fica esbatido em nós e para os outros.

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Textos para a Eucaristia (C): Gen 18, 1-10a; Sl 14 (15); Col 1, 24-28; Lc 10, 38-42.

 

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10
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

LUCIANO MANICARDI (2016). Caridade dá que fazer. Atualidade das obras de misericórdia. Prior Velho: Paulinas Editora. 240 páginas.

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Vivemos o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, e que decorre de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016. O Jubileu tem levado a rever planos pastorais, compromissos eclesiais. O Papa quis que a Igreja refletisse e vivesse procurando acolher e viver a misericórdia de Deus. As Obras de Misericórdia, corporais e espirituais, sinalizam a concretização da misericórdia de Deus no serviço aos outros.

 

Têm sido vários os autores a centrar a sua atenção na Misericórdia, na Bíblia, na história, na Igreja, na vivência da fé. Um dos pedidos do Papa levou muitos a refletir sobre as obras de misercórdia e na sua pertinência no mundo atual.

 

O livro que Luciano Manicardi, publicado em 2010, foi revisto e aumentado, englobando já algumas das afirmações do Papa Francisco e dos seus propósitos acerca da importância da misericórdia, no compromisso da Igreja com o mundo.

 

Luciano Manacardi nasceu em 1957, em Itália. É monge na comunidade monástica fundada por Enzo Bianchi, onde também é responsável pela formação dos noviços. A sua formação é sobretudo bíblica, mas não deixa de recorrer às descobertas da antropologia e da psicologia.

 

Neste trabalho é frequente o recurso à Sagrada Escritura, contextualizando, explicitando, tornando inteligível a caridade, como compromisso do amor com a justiça e com a verdade. As obras de misericórdia continuam a traduzir a assunção da fé cristã, na certeza que o corpo e o tempo nos identificam como irmãos, nos comprometem com o corpo (a vida) do outro e, nessa medida, nos tornam verdadeiramente humanos.

 

A melhor forma de sugerir uma leitura será com palavras do próprio autor:

"A caridade ocorre sempre no âmbito das relações humanas. Relações interpessoais, sociais e políticas. A caridade ocorre na história, num espaço e num tempo precisos. A caridade é histórica, não é um princípio abstrato. Também a caridade cristã, que manifesta e mostra como «Deus é amor» ( 1 Jo 4, 16), a caridade que tem, portanto, uma configuração teológica essencial, que encontra a sua personificação em Cristo, a caridade suscitada pela ação do Espírito Santo, a caridade que «pertence à natureza da Igreja e que é expressão irrenunciável da sua própria essência» (Bento XVI), também esta caridade ocorre na história, manifestando-se e tomando uma forma no hoje histórico. E a Igreja tem a responsabilidade histórica dessa narração da caridade: é chamada a ser epifania da caridade nos dias de hoje. Não há outro lugar da caridade que não seja a histórica, o hoje, o corpo: corpo pessoal, social, eclesial, mundial..." 
"Deus é ferido pelo mal que o homem comete contra o homem. A indignação divina e profética face ao mal também é - e sobretudo - sofrimento... a profecia sintetiza-se na exclamação de que Deus não é indiferente ao mal e que, pelo contrário, o grande mal é o habituar-se ao mal, a ponto de já não se escandalizar, de já não se deixar ferir nem perturbar por ele" 
"O Deus que se ligou em aliança aos filhos de Israel é vulnerável, sensível aos sofrimento humano. O Deus que intervém para restabelecer a justiça, ali onde é violada, é o Deus que co-sofre com o povo oprimido" 
"Para uma teologia da quotidianidade, há que saber reconhecer o detalhe, o pormenor, a sinuosidade, os meandros da existência, o interstício da vida, para poder apreendê-la como lugar em que se deve manifestar, vivendo-a, a qualidade humana e evangélica. A tradição das obras da misericórdia fala de vestir e de se vestir, de comer e de dar de comer, de beber e de dar de beber, de gente sem casa a colher de doentes a tratar e a visitar, de mortos a sepultar, de ofensores a perdoar, de ignorância a instruir, de hesitantes a aconselhar. Em tudo isto não é difícil reconhecer-nos a nós próprios ou outros que se cruzam com a nossa vida quotidiana. Não é difícil ver as situações quotidianas da morte de um parente e do trabalho de luto, da doença de um familiar e da tarefa da assitência e da proximidade do drama vivido por um preso e pelos seus familiares, da condição penosa de tantos imigrantes, da convivência quotidiana com uma pessoa com dificuldades e de aspetos pesados de suportar" 
"A caridade é a atenção ao corpo do outro. E como o corpo é a realidade humana mais espiritual, é através do contacto com o corpo ferido, carente, sofredor, necessitado, que recriamos as condições de dignidade do homem ferido e ofendido injuriado pela vida" 
"Jesus de Nazaré deu um rosto humano a essa misericórdia e compaixão, revelando-a na sua vida (cf. Mc 1, 41; 6, 34; Lc 7,13; etc.), e, seguindo-o, pela fé e pelo amor por Ele, também o discípulo do Senhor pode viver a misericórdia". 
"A paciência de Deus não é impassibilidade nem passividade, mas a longa respiração da sua paixão, paixão de amor amor que aceita sofrer esperando os tempos do homem e a sua conversão: «Não é que o Senhor tarde em cumprir a sua promessa, como alguns pensam, mas simplesmente usa de paciência para convosco, pois não quer que ninguém pereça, mas que todos se convertam» (2 Ped 3, 9). 
A paciência de Deus surge como fruto da sua escolha, da sua vontade, de um trabalho interior em que Ele é confrontado com a possibilidade de deixar explodir a sua ira... A paciência, com efeito, não quer tornar-se cúmplice do mal cometido (cf. Jr 44, 22). A paciência divina não é ausência de cólera, mas capacidade de elaborá-la, de domá-la, de interpor uma espera entre a inspiração e a sua manifestação... a paciência é o olhar generoso de Deus fixo no homem olhar que não se detém nos detalhes, no acidente de percurso, que não considera o pecado definitivo, mas que o coloca no contexto de todo o caminho existencial que o homem é chamado a percorrer... Em Cristo, Deus aceita «carregar o fardo», «suportar» a insuficiência e incapacidade humanas, assumindo a responsabilidade pelo homem na sua falibilidade. A «paciência de Cristo» (2 Tes 3, 5), exprime assim o amor de Deus, do qual é sacramento". 
Oração de intercessão: "Um estar diante de Deus em favor do outro, um compromisso ativo entre duas partes, um situar-se na fronteira, um estar no limiar, um situar-se no vazio existente entre Deus e o homem, um habitar o espaço intermédio. É a posição de Aarão que «se interpôs» (Sb 18, 23), detendo assim a ira divina e impedindo-a de atingir os seres vivos; é a posição de Moisés que se colocou «na cavidade da rocha» (Sl 106,23) para desviar a ira de Deus do povo… O intercessor é o homem da fronteira, que se encontra entre dois fogos, na delicadíssima posição de quem está completamente exposto, de quem assume a responsabilidade pelo povo pecador e a levar à presença do Deus santo e misericordioso. É uma posição «crucial». É a posição de Jesus na cruz, quando o seu estar entre o céu e a terra, de braços estendidos para levar a Deus todos os homens, se torna revelação do resultado último da intercessão: o dar a vida pelos pecadores, por parte daquele que é santo"


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FREI MICHAELDAVIDE (2016). Etty Hillesum. Humanidade enraizada em Deus. Prior Velho: Paulinas Editora. 112 páginas.

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Bento XVI (13 de fevereiro de 2013): "Penso também na figura de Etty Hillesum, uma jovem holandesa de origem judaica, que morrerá em Auschwitz. Inicialmente distante de Deus, descobre-o olhando em profundidade dentro de si mesma e escreve: «Dentro de mim existe um poço muito profundo. E naquele poço está Deus. Às vezes consigo alcançá-lo, mas na maioria das vezes está coberto por pedras e areia: então Deus está sepultado. É necessário que eu o volte a desenterrar» (Diário, 97). Na sua vida dispersa e inquieta, ela encontra Deus precisamente no meio da grande tragédia de Novecentos, o Shoah. Esta jovem frágil e insatisfeita, transfigurada pela fé, transforma-se numa mulher cheia de amor e de paz interior, capaz de afirmar: «Vivo constantemente em intimidade com Deus».

É desta forma que o autor, Frei Michaeldavide apresenta este livro sobre Etty Hillesum, baseado no diário e nas cartas que ela escreveu. Dois dias depois de Bento XVI anunciar ao mundo a sua renúncia como Bispo de Roma, como Papa, em Quarta-feira de Cinzas, apresentava, Etty Hillesum - a par de Pavel Florenskij e de Dorothy Day - como modelo de fé, de conversão, de intimidade com Deus.

Etty Hillesum nasceu na Holanda, em 15 de janeiro de 1914 e viria a ser morta em Auschwitz, por ser de descendência judia, no dia 30 de novembro de 1943.

Nas palavras do autor, Etty Hillesum é uma "mulher, cuja vida está prestes a ser violentamente despedaçada, acredita - ainda consegue acreditar - que algum transeunte saberá recolher este seu bilhetinho... Etty Hillesum é uma jovem mulher que soube transfigurar- a própria vida, deixando-a amadurecer até à plenitude, aprendendo a rezar e a meditar... Mediante a oração aprendeu a meditar sobre as trevas humanas através da luz de Deus, sem as negar, mas também sem as tornar mais densas... como jovem mulher judia holandesa do seu tempo, Etty Hillesum vive e abraça até ao fundo o contexto terrível de uma das páginas mais sombrias da humanidade - talvez a mais tenebrosa, por ter sido concebida e dada à luz pela civilização europeia enraizada na tradição do cristianismo...

Há um mal presente, mas também há um bem que está presente na vida, que nenhum mal se pode tornar tirano no sentido de chamar toda a atenção sobre si próprio. Nisto Etty Hillesum é mestra de total lucidez: na capacidade de atribuir um nome preciso àquilo que se pode verificar de negativo, sem esquecer que, no preciso momento em que qualquer coisa de terrivelmente negativo está a acontecer, continua a crescer o bem, que existe desde sempre e que é o futuro, enquanto o mal não tem futuro, mesmo quando parecer tão tremendo que atrai toda a nossa atração...

Algumas expressões de Etty Hillesum:

"Entre a vida que recebemos e a vida que devemos receber oscila a nossa vida, aquela que, de momento, vivemos ou não vivemos" 
"Se toda a dor não alargar os nossos horizontes e não nos tornar mais humanos, libertando-nos das mesquinhices e das coisas supérfluas desta vida, terá sido inútil"
"O homem ocidental não aceita a dor como parte desta vida: por isso, nunca consegue extrair forças positivas" 
"Fomos marcados para sempre pela dor. Contudo, a vida é maravilhosamente boa... basta que façamos com que Deus, apesar de tudo, esteja em segurança nas nossas mãos"
"Sermos verdadeiramente felizes sem voltar as costas a todo o sofrimento" 
"Meu Deus, dou-te graças por me teres criado tal como sou. Dou-te graças porque às vezes me permites estar tão cheia de vastidão, daquela vastidão que não é senão o meu ser transbordante de Ti" 
"Somos sobretudo nós próprios que nos roubamos. Acho a vida bela e sinto-me livre. Os céus estendem-se tanto dentro como acima de mim. Creio em Deus e nos homens e atrevo-me a dizê-lo sem falso pudor. A vida é difícil, ma isso não é grave" 
"É verdade que de vez enquando podemos estar tristes e abatidos por aquilo que nos fazem, é humano e compreensível que assim seja (...) A vida é difícil, mas não é grave. Devemos começar a tomar a sério o nosso lado sério, o resto virá por acréscimo: e «trabalharmo-nos a nós mesmos» não é propriamente uma forma de individualismo doentio. Uma paz futura só o poderá ser verdadeiramente se antes tiver sido encontrada por cada um dentro de si próprio - se cada homem se tiver libertado do ódio contra o próximo de qualquer raça ou povo, se tiver superado esse ódio e o tiver transformado em algo diferente, talvez a longo prazo, em amor, se isto for pedir de mais. É a única solução possível. Esse pedacinho de eternidade que trazemos dentro de nós tanto pode ser expresso numa palavra como em dez volumes. Eu sou uma pessoa feliz e bendigo a vida, bendigo-a precisamente neste ano do Senhor de 1942, enésimo da guerra" 
"Estamos em casa. Estamos em casa sob  céu. Estamos em casa em qualquer lugar, se trouxermos tudo dentro de nós. Muitas vezes me tenho sentido, e ainda sinto, como um navio que transporta a bordo uma carga preciosa: os cabos são cortados e agora o navio parte,livre para navegar por toda a parte. Temos de ser a nossa própria pátria"
"Dentro de mim há uma nascente muito profunda. E nessa nascente está Deus. Por vezes, consigo alcançá-lo, a maior parte das vezes, está coberta de pedras e de areia: nessas alturas, Deus está sepultado. Então há que voltar a desenterrá-lo. Imagino que certas pessoas rezam com os olhos fixos no céu: elas procuram Deus fora de si. Há outras que inclinam a cabeça, escondendo-a entre as mãos: creio que estas procuram Deus dentro de si" 
"De repente, compreendi como uma pessoa, com o rosto escondido atrás das mãos juntas, pode deixar-se cair violentamente de joelhos e depois ter paz"
"E se Deus deixar de me ajudar, então serei eu a ajudar Deus".
"Uma pessoa deve viver a sua própria vida" 
"Prometo-te uma coisa, meu Deus, só uma pequena coisa: tentarei não tornar o hoje mais pesado com o peso das minhas preocupações pelo amanhã.. Tentarei ajudar-Te para que Tu não sejas destruído dentro de mim, mas não posso prometer nada a priori. Uma coisa, porém, se torna cada vez mais evidente para mim, ou seja, que Tu não nos podes ajudar, mas que somos nós que Te ajudamos a Ti e, desse modo, ajudamo-nos a nós mesmos. A única coisa que podemos salvar destes tempos, e também a única coisa que conta de verdade, é um pedaço de Ti em nós mesmos, meu Deus. E talvez também possamos contribuir para te desenterrar dos corações devastados dos outros homens. Sim, meu Deus, parece que Tu não podes fazer muito para modificar as circunstâncias atuais, mas também elas fazem parte desta vida. Eu não ponho em questão a tua responsabilidade, mais tarde serás Tu a declarar-nos responsáveis a nós. E quase a cada batimento do meu coração aumenta a minha certeza: Tu não nos podes ajudar, mas cabe-nos a nós ajudar-te a ti, defender até ao fim a tua casa em nós... Alguns querem a todo o custo salvar o seu próprio corpo. Dizem: não me apanharão a mim. Esquecem-se que não se pode cair nas mãos de ninguém estando nos teus braços. Começo a sentir-me um pouco mais tranquila, meu Deus, depois desta conversa contigo. Daqui por diante, discorrerei contigo muitas vezes, e, desse modo, impedir-te-ei de me abandonares. Comigo passarás também por períodos de escassez, meu Deus, tempos escassamente alimentados pela minha pobre confiança; acredita, porém, eu continuarei a trabalhar para ti e a ser-te fiel, e não te expulsarei do meu território" 
"A escola da oração torna-se  para ela escola de humanidade e uma maneira de estar na presença de Deus, de si própria e do mundo que a rodeia numa medida cada vez mais harmoniosa e capaz de plena responsabilidade e de respeito absoluto, inclusive pelo inimigo...
"No meio daquele caos e daquela miséria, vivo de tal maneira a um ritmo meu, que a cada instante, enquanto escrevo à máquina aquelas cartas, posso embrenhar-me nas coisas que acho mais importantes. Não se trata de me isolar da dor que tenho à minha volta, sem sequer de uma forma de apatia. Suporto e guardo tudo dentro de mim mas sigo em frente pelo meu caminho".
"Meu Deus, ainda não se dão conta de que todas as coisas que existem são areias movediças, a não ser Tu" 
"Prefiro estar sozinha e ser para todos"
"A nascente de cada coisa deve ser a própria vida, nunca outra pessoa. Muitos, porém - sobretudo as mulheres -, vão buscar as próprias forças aos outros: a sua nascente é o homem e não a vida"
"Devo tornar-me mais simples, deixar-me viver um pouco mais. Não pretender ver resultados imediatos. Agora sei qual a minha cura: acocorar-me a um canto e escutar aquilo que tenho dentro de mim própria".
"Falarei contigo, meu Deus. Posso? como as pessoas vão desaparecendo, não me resta outra coisa senão o desejo de falar contigo. Amo assim tanto os outros porque em cada um deles amo o pedacinho de Ti, meu Deus. Procuro-Te em todos os homens e, frequentemente, encontro neles alguma coisa de Ti. E procuro desenterrar-Te do seu coração, meu Deus" 
"E, quando a borrasca for demasiado forte, e eu já não souber como escapar, restar-me-ão sempre duas mãos juntas e um joelho dobrado. É um gesto que a nós, judeus, não foi transmitido de geração em geração. Tive de aprendê-lo a custo. É a herança mais preciosa que recebi do homem de quem já quase esqueci o nome, mas cuja parte melhor continua a viver em mim. Como é estranha a minha história - a história de ua rapariga que não se sabia ajoelhar. Ou, com uma variante: da rapariga que aprendeu a rezar. É o meu gesto mais íntimo" 
"Meu Deus, às vezes não consigo entender nem aceitar aquilo que os teus semelhantes nesta terra fazem uns aos outros, nestes tempos tempestuosos. Contudo, isso não me leva a fechar-me no meu quarto, meu Deus: continuo a olhar as coisas de frente e não quero fugir diante de nada... Olho de frente para o teu mundo, meu Deus, e não fujo da realidade para me refugiar no sonhos - ou seja, mesmo perante a realidade mais atroz, há lugar para sonhos maravilhosos - e continuo a bendizer a tua criação, apesar de tudo"

Para conhecer melhor, a vida e o pensamento de Etty Hillesum:

A MINHA VIDA É UMA SUCESSÃO DE MILAFRES.

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura


09
Jul 16
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1 – «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Um duplo mandamento. Amar a Deus acima e antes de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Jesus Cristo dá Corpo a este mandato. Traz-nos Deus, aproxima a eternidade do tempo, vive e visualiza o amor de Deus, amando o ser humano, em especial o mais frágil, integrando, incluindo.

Deus não nos pede o impossível: «Este mandamento não está acima das tuas forças nem fora do teu alcance. Não está no céu... Não está para além dos mares... Esta palavra está perto de ti, está na tua boca e no teu coração, para que a possas pôr em prática».

O doutor da Lei questiona Jesus que lhe devolve a questão, remetendo-o para a Sagrada Escritura. O mandamento primeiro é amar a Deus de todo o coração, com todas as forças, em todo o tempo, e que a vivência dos mandamentos (n)os coloca na senda da eternidade!

Para nós cristãos, a herança eterna é dom de Deus, que nos salva em Jesus Cristo, pela Sua morte e ressurreição, mistério pascal que celebramos em cada Eucaristia, recordando e tornando-nos contemporâneos da oferenda de Jesus. Jesus interliga o amor a Deus com o dar a vida pelos outros. Com efeito, o amor, como o entende o Evangelho, “é a coragem de morrer para o próprio egoísmo, de nos esquecermos de nós próprios em favor dos outros” (Tomáš Halík).

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2 – A sabedoria inclui o saber e o fazer, a vivência concreta com as pessoas que Deus confiou à minha, à tua, à nossa responsabilidade.

O doutor da Lei volta à carga: quem é o meu próximo?

Talvez lhe possamos dar uma mão: o meu próximo é quem precisa da minha ajuda; o familiar; os amigos; os colegas de trabalho ou de copos; os vizinhos; os do meu bairro; os do meu partido; os da minha religião; as pessoas do meu país! Cada pessoa que se cruza comigo! E talvez seja também aquele de quem não gostamos tanto!

Vejamos a resposta de Jesus: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio-morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele».

Não importa tanto o que os outros dizem, mas o que eu faço. Jesus remata a questão, desafiando: «Então vai e faz o mesmo».

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3 – A parábola do Bom Samaritano é uma pérola do Evangelho. Jesus é, por excelência, o Bom Samaritano, que Se debruça sobre a humanidade ferida pelo pecado e pela morte, lhe trata das feridas, a coloca na sua montada, e assume todas as despesas, generosamente.

O Samaritano não se fixa na lei mas na pessoa. O sacerdote e o levita deixaram-se aprisionar pela lei e pelo preconceito. Mantiveram-se à distância. Viram um homem caído, derrotado, quase morto e não ousaram aproximar-se. Viram com os olhos, não com o coração. Viram as dificuldades mas não a pessoa ferida. Ao invés, o samaritano, olha, aproxima-se e vê, com o coração, compadece-se, toca-o, trata-lhe as feridas, coloca-o na sua montada, guia-o para um lugar seguro, assegura-se que será bem tratado e que ficará bem. Só nessa ocasião segue em frente.

Jesus faz-Se tão próximo da humanidade que a assume por inteiro, na sua fragilidade, fazendo-Se pecado por nós, deixando-Se ver e tocar, deixando-Se amar e odiar, deixando-Se perseguir e até matar. Para nos redimir. Para nos reconciliar, uns com os outros e com o Pai. Para nos resgatar do pecado e da morte, da solidão e do egoísmo. 


Textos para a Eucaristia (C): Deut 30, 10-14; Sal 68 (69); Col 1, 15-20; Lc 10, 25-37.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


02
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Sem pausas nem descanso. Segui-l'O em todas as circunstâncias.

Para O seguir e para O imitar, para O viver e O anunciar é necessário abrir-Lhe o coração e a vida para que Ele nos habite e nos transforme, nos converta e nos redima. Não é possível amar o que não se conhece. O conhecimento é um primeiro passo para amar. Quanto mais se amar mais se quer conhecer e quanto mais se conhecer maior a possibilidade de amar a pessoa e não uma imagem da mesma.

A oração é o ambiente natural para saber quem é Jesus para nós. A oração, a escuta, a meditação da palavra de Deus. O cristão, como a Igreja, deve ter a consciência da sua identidade lunar. Jesus Cristo é o nosso Sol. Somos embaixadores e não chefes de estado. O embaixador não se comunica, mas comunica o seu povo. Somos de Cristo. Somos cristãos. Sermos embaixadores de Jesus é um compromisso, para que Cristo viva em nós e através de nós chegue a todo o mundo.

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2 – Somos discípulos missionários. Expressão que ganhou corpo na Assembleia Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, em 2007, em Aparecida, no Brasil, sob o tema "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida".

Bento XVI, no discurso inaugural, clarificou a estreita ligação: "O discípulo, fundamentado assim na rocha da Palavra de Deus, sente-se impelido a anunciar a Boa Nova da salvação aos seus irmãos. Discipulado e missão são como os dois lados de uma mesma medalha: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que somente Ele nos salva (cf. Atos 4, 12)… o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não existe esperança, não há amor e não existe futuro".

O Papa Francisco, relator-presidente de Aparecida, utiliza amiúde esta expressão, muitas vezes sem a conjunção aditiva "e", acentuando o perigo da autorreferencialidade do cristão e da Igreja. O centro, o SOL, é Jesus Cristo. Devemos d'Ele aprender a vida e o amor, a verdade e o serviço. Discípulos. Para O darmos aos outros, levando a todos os Evangelho de Jesus. Missionários. Não podemos ser missionários se não formos verdadeiros discípulos do Senhor. Sendo discípulos autênticos procuraremos imitá-l’O e como Ele anunciar a Boa Nova a todos. A luz que nos habita não se pode esconder.

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3 – "Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho". Para seguir Jesus é necessário deixarmos de lado todos os acessórios que nos pesam. Ele envia-nos. Ele não nos chama para ficarmos instalados à sombra da bananeira, mas para irmos ao encontro dos outros. Por aldeias e cidades. De coração a coração. Não há desculpas nem justificações. "Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus". Podemos adiar, arranjar outras coisas que fazer, mas serão sempre passatempos, porque a missão é seguir Jesus e dá-l'O aos outros.

"Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’… Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa". Não é uma mensagem qualquer que levamos, mas o próprio Jesus. Só Ele conta. Vamos para levar a Sua paz e bênção e salvação.

"Quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’”. A fé não se impõe, propõe-se. Façamos o que nos compete: anunciar o Reino de Deus e a Sua proximidade. Deus fará o resto.

________________________

Textos para a Eucaristia (C): 1 Reis 19, 16b. 19-21; Sl 15 (16); Gal 5, 1. 13-18; Lc 9, 51-62.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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