...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
30
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 10:46link do post | comentar |  O que é?

NELLO SCAVO. A Lista de Bergoglio. Os que foram salvos por Francisco durante a ditadura. Paulinas editora. Prior Velho 2013. 208 páginas.

       Quem não ouviu falar da Lista de Schindler, cujo filme colocou em evidência o trabalho de Oskar Schindlerque terá salvo centenas de judeus. A lista dos que foram livres da matança Nazi sublinham a barbárie perpretada contra os judeus e a generosidade de pessoas muito concretas que tudo fizeram, o que estava ao alcance, para salvar vidas, correndo o risco de eles próprios serem arrestados para a tortura e para a morte. Há também um português de quem se poderia fazer uma lista, Aristides de Sousa Mendes.

       Vamos para o continente americano, mais ao sul, ditaduras ora à esquerda ora à direito, mas com os mesmos métodos: silenciar as vozes incómodas e de opinião ou prática contrária. A Argentina ainda sara as feridas desses tempos, meados dos anos 70 e 80, com milhares de desaparecidos depois do golpe militar que impôs uma ditadura de direita, com muitos silenciamentos, alguns dos quais cansados da bárbarie anterior.

       Quando foi eleito o Cardeal Ratzinger, escolhendo o nome de Bento (XVI), minutos depois já havia insinuações de que o papa eleito tinha integrado o exército Nazi e, nesse propósito, teria sido conivente com o regime. Não foi preciso qualquer desmentido, pois foi claro, num olhar mais honesto, que como jovem foi obrigado a entrar na vida militar, com 16 anos, desertando no ano seguinte, correndo o sério risco de ser morto. Por outro lado, era evidente na sua biografia que o próprio pai, O seu pai, comissário da polícia, oriundo de uma família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas, por não estar sintonizado com as políticas governamentais foi mudado de posto em ocasiões sucessivas. Apesar de não haver dúvidas, a não ser por maldade, ainda hoje, por vezes na comparação com o Papa atual, se refere que Ratzinger era nazi, ou que teve alguma coisa a ver.

       Paralelamente, ou não, mal foi conhecido o nome do Cardeal Bergoglio, como Papa Francisco, logo se levantaram suspeitas sobre a sua vida e atuação, enquanto Provincial dos Jesuítas da Argentina, durante a ditadura de direita, nomeadamente insinuando-se que dois jesuítas, que se encontravam em processo de deixarem a Companhia de Jesus, tinham sido entregues por ele, ou pelo menos nada tinha feito para os libertar.

       Nello Scavo, jornalista, encetou uma investigação independente, sem recorrer ao Vaticano, ou a fontes católicas, mas a documentação existente, a pessoas que conheceram e lidaram com Bergoglio, a sobreviventes que ele ajudou, descobrindo com facilidade que Bergoglio tinha uma rede clandestina para sobretrair à prisão e a morte muitos dos que eram procurados pelo regime, sacerdotes, religiosos, catequistas e até pessoas sem fé ou sem identidade religiosa.

       É um livro verdadeiramente clarificador. O jornalista que lançou a "bomba" procurando mostrar que Bergoglio tinha sido cúmplice no rapto dos dois padres jesuítas retirou as suspeitas ao ouvir um dos sacerdotes a confessar claramente que Bergoglio nada teve a ver com o caso, pelo contrário, tudo fez até que os dois jesuítas foram libertados, ajudando depois ao seu exílio para evitar futuras prisões. Com efeito, Bergoglio, jovem sacerdote, ajudada muitos a esconder-se no Colégio dos Jesuítas, outros a sairem do país, sendo acolhidos no país de destino por outros contactos seus, incentivando-os a denunciar o que se passava na Argentina. Sempre de forma discreta, mas bastante eficaz.

       Depois de algumas personagens que fazem parte da Lista de Bergoglio terem capítulos dedicados, na parte final a transcrição de interrogatório feito pelo tribunal que deve julgar os crimes da ditadura, com juizes, advogados das vítimas, advogados de defesa, com o agora Papa Francisco a responder com clareza, sem medo, mostrando total abertura e acesso a toda a documentação existente no Arcebispado de Buenos Aires ou na Conferência Episcopal.

       Há testemunhos que mostram à saciedade o trabalho incansável do Pe. Bergoglio, conduzindo o carro pelas ruas da capital, procurando não atrair atenções. Por vezes nem os colegas sabiam o que ele fazia: levava jovens para o colégio e apresentava-os como sendo jovens que iam fazer um retiro.

        O livro ajuda a compreender muitas das intervenções duras de Francisco, enquanto Cardeal e Arcebispo de Buenos Aires e ajudam também a conhecer a história e o temperamento dos argentinos.

       Leitura obrigatória para quem quer conhecer a vida do Papa e o seu caráter decidido.


28
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 12:18link do post | comentar |  O que é?

GABRIEL MAGALHÃES. Espelho meu. A leitura diária do Evangelho pode mudar a vida. Paulinas Editora. Prior Velho 2013. 128 páginas.

       Mais um título da coleção "Poéticas do viver crente", coordenada pelo Pe. Tolentino Mendonça.

É um testemunho contado na primeira pessoa. O autor partilha a sua experiência de fé, mostrando como a leitura diária do Evangelho, ainda que um pequeno trecho, pode revolucionar a vida cristã e o compromisso com os outros. Também aqui há conversão e vida nova. O Evangelho, como a participação na Missa, pode passar quase indiferente. Faz parte da tradição. Escuta-se mas sem entrar, sem fazer mossa.

       O autor, como refere, pertence à geração daqueles que  achavam que a Igreja e o cristianismo pertenciam à menoridade, como que paralisando o desenvolvimento lúcido do pensamento e da vida. Aos 24 anos, mais ou menos, revolveu ter o Novo Testamento e lê-lo a partir da sua "perspectiva arrogante", sobretudo como forma de aumentar a cultura geral, já que não passaria disso. Mas a leitura revolucionou a sua vida e a forma de ver o Evangelho, como enriquecimento, como descoberta, como encontro. "Aquele livro era a vida, e a vida era aquele livro... Os Evangelho criam com a realidade uma relação de total fraternidade: de comunhão e de identidade... Os Evangelho são capazes desta transparência por causa da presença de Jesus. Ele é o cristal de amor, através do qual a verdade passa. O que há de mais absoluto nestes textos sagrados são as palavras de Jesus".

       Leitura partilhada do Evangelho. Momentos da vida de Jesus nos quais podemos rever-nos e encontrar-nos.

       Esta é uma reflexão muito interessante. Transparece a vivência quotidiana. Não são palavras de um erudito ou do professor universitário, mas as palavras de um crente cristão que se deixou transformar pelas palavras de Jesus e nos contagia com o seu testemunho. Claramente, a fé não obscurece a vida, pelo contrário e apesar das dificuldades que a todos afetam a fé ilumina, aponta mais para além, justifica e dá sentido à existência.


25
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       No dia 9 de novembro, na proximidade do São Martinho, na nossa paróquia, antecipando este dia comemorativo, realizámos o Magusto, mais orientado para a catequese, mas aberto a toda a comunidade cristã. Antes do Magusto a primeira festa de catequese, a Festa do Acolhimento aos meninos do primeiro ano de catequese.

       É uma festa muito simples, dentro da Eucaristia vespertina, com crianças, sublinhando precisamente o ACOLHIMENTO que lhes queremos dar, como comunidade, começando por saber quem são. Par eles certamente, foi uma oportunidade de festejar a sua entrada na catequese e uma participação mais ativa na celebração da Eucaristia.

Algumas fotos desta jornada catequética:

Para mais fotos poderá visitar a página da

Paróquia de Tabuaço no Facebook,

ou no GOOGLE +

Início do ANO PASTORAL | Início da Catequese | Festa do Acolhimento | Magusto


23
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – A realeza de Jesus Cristo assenta no Amor. É uma realeza frágil, exposta, carente, dependente do acolhimento e da aceitação alheia. Não é imposta e não vive pela força. Impõe-se pelo serviço, pelo testemunho, como lâmpada que se acende para irradiar Luz.

       Hoje são vários os motivos que nos levam/trazem à Eucaristia: solenidade de Cristo Rei, Senhor do Universo, Dia da Igreja Diocesana de Lamego, Encerramento do Ano da Fé, convocado por Bento XVI e concluído pelo Papa Francisco.

       A síntese e o enquadramento do Ano da Fé pode encontrar-se na primeira carta Encíclica do novo Papa, Lumen Fidei, escrita a quatro mãos, preparada por Bento XVI e assumida, com as suas contribuições pessoais, por Francisco. Melhor síntese ainda: a passagem de testemunho de um a outro papa, sublime Evangelho da Humildade. Um, a fé, o serviço e o despojamento, pondo em evidência o que sempre foi: simples trabalhador da vinha do Senhor. Outro, com a temperatura muito latina, próximo, afável, universalizando o que era como sacerdote e cardeal, pastor da proximidade e da clareza, do encontro e da ternura. Outra síntese luminosa, anunciada neste ano, a canonização do Bom Papa João XXIII e do infatigável papa João Paulo II, a realizar em 27 de abril de 2014.

       2 – A coroação de Jesus realiza-se na Cruz, bela expressão do Amor sem fronteiras nem reservas, sem condições prévias.

       Alguns zombam de Jesus: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito»; «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo»; «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». O próprio letreiro pregado na cruz refere a realeza de Jesus: «Este é o Rei dos judeus».

       A zombaria contrasta com a bondade de Jesus durante a vida pública. Ele prega e vive a proximidade com todos, especialmente com as pessoas mais frágeis e desconsideradas social, política e religiosamente, acerca-se delas, faz-Se caminho para pessoas portadoras de deficiência, publicanos, crianças, mulheres. Coloca no centro precisamente aqueles que foram colocados nas periferias da vida.

       A última tentação, na Cruz e na vida, é cada um procurar salvar-se a si mesmo, usando todos os meios, mesmo que à custa de outros. «Salva-te e ti e a nós também». Jesus não quer salvar a pele e muito menos à custa do sacrifício de outros. Ao invés, Jesus oferece-Se como sacrifício, como Amor partilhado, para salvar a todos. Não se livra do sofrimento, do suplício e da morte. Mas aprouve a Deus que na Sua oferenda todos fôssemos reconciliados com Ele, eternamente.

       No final, Jesus não tem nada, nem sequer a roupa do corpo. Tudo é para Deus. É todo de Deus. É todo para a humanidade.


Textos para a Eucaristia (ano C): 2 Sam 5, 1-3; Sl 121 (122); Col 1, 12-20; Lc 23, 35-43.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


22
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 10:36link do post | comentar | ver comentários (1) |  O que é?

DANIEL SILVA. O Anjo caído. Bertrand Editora. Lisboa 2013, 400 páginas.

       Gabriel Allon é um ativo dos serviços secretos israelita. Este é já o 12.º livro de Daniel Silva que tem como protagonista Gabriel Allon. É um extraordinário romance sobre os bastidores da segurança, da vigilância, na procura por salvar vidas inocentes. É o primeiro romance deste autor que me veio parar às mãos, oferta da família, e que em boa hora tive oportunidade de ler e descobrir. É daqueles livros em que se procura rapidamente avançar, página a página, com o trama a desenrolar-se diante dos nossos olhos como se estivesse dentro da história.

       A primeira reação, a partir do título, foi de suspeita preconceituosa. Depois de Dan Brown, com o Código Da Vinci, surgiram muitos títulos muito parecidos, procurando mostrar, ainda que romanceado, que o cristianismo seria uma farsa, com demasiados segredos e encobrimentos, com muitos crimes à mistura, violência, abusos de poder. Livros procurando desmontar que Jesus não existiu, ou teve uma amante... ou A virgem Maria, mãe carnal de muitos filhos... em Saramago, e José Rodrigues dos Santos, quase jurando que os dados revelados seriam mesmo documentos fidedignos. Embora no final se arranje uma forma ardilosa de justificar que afinal não existem tais documentos porque alguém os destruir. Tive oportunidade de ler vários romances de José Saramago, de ler Dan Brown, e excertos do polémico livro de José Rodrigues dos Santos, e entrevistas concedidas (além de ter lidos outros livros deste autor). A abundância de livros acentuando a teoria da conspiração a partir do Vaticano, cansou-me, até porque, tendo estudado História da Igreja e muitas disciplinas estritamente ligadas à teologia e ao cristianismo, nada do apresentado como descoberta é novidade, pois se estuda no tempo do Seminário, com as polémicas, a partir (sobretudo) do século XVIII, em que se colocam em causa muitas verdades de fé. Além, disso, desde os primeiros séculos houve milhentas discussões, síndodos, livros, missivas, concílios, a debater os conceitos mais importantes da fé: virgindade de Maria, Jesus como verdadeiro homem e verdadeiro Deus, papel e missão do Espírito Santo, Igreja de Jesus Cristo ou Igreja de São Paulo e muitas questões próximas.

       Quando vejo títulos que me apontem para o mesmo, sigo em frente. Também por esta razão, este é um livro fascinante, com intriga, com descrições que nos fazem situar ora nos EUA, na Holanda, em Israel, no interior do Vaticano, ou nas praças de Itália, em Viena de Áustria, em Paris. Cenários encantadores, onde a trama se desenrola e não falta o crime, o roubo de arte sacra, a congiminação para destruir o Estado de Israel e a sempre polémica negação, sobretudo por parte do mundo islâmico, do Holocausto e a edificação do primeiro e do segundo Templo de Salomão, em Jerusalém. A visita do papa Paulo VII (o Papa ficcionado), que evoca claramente as visitas de João Paulo II, mas também de Bento XVI, com reconhecimento, por parte da Igreja, dos pecados próprios contra os judeus, e a aproximação progressiva que se tem assistido desde Paulo VI, acentuada com João Paulo II, confirmada por Bento XVI e agora visualizada pelo Papa Francisco.

       O livro mostra-nos a beleza da arte e todos os interesses que se movem na obscuridade de roubos, de ganâncias, de poder. Obviamente que o autor não esquece algumas das polémicas que envolvem a Igreja, mas penso, que o faz com um sentido crítico equilibrado, acentuando a dimensão da fé, mas também a fragilidade daqueles que servem a Igreja.

       O livro ganha ainda mais a minha admiração, quando no final se deixa claro o que é romance e o que é história, o que é ficcionado e o que é real, fontes e inspiração. É visível, também no romance, o problema sempre atual da disputa de Israel e da Palestina pelos territórios de Abraão e de Jesus Cristo.

       Nota final para referir que, tendo em conta que sou sacerdote católico, sempre li com agrado as obras de Saramago, José Rodrigues dos Santos, Dan Brown, ou outras bastante polémicas. São enredos envolventes. O pecado, a meu ver, é que por vezes pretendem fazer história das polémicas, assumindo por vezes uma teoria de um ou outro historiador ou teórico em prejuízo de escolas de estudiosos, achando que todos os outros estão errados e só um pode estar certo, caindo em dogmatismos mais preservos do que aqueles que procuram combater. Ler um livro sabendo que é romance não é o mesmo que ler um romance que tem pretensões a ser um manual de história.

       Dito isto, se tiver oportunidade de ler algum livro de Daniel Silva, a ver pela amostra, não vai ficar desiludido/a, claro, se gostar de ler.


21
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?
O fazer deve estar sempre depois do pensar.
A ação nunca deve ser impulsiva, mas sempre acompanhada de um objetivo, inserida num projeto.
Nunca por reação! Quem reage não escolhe.
A capacidade de projetar, de criar, pertence à pessoa. Saber optar é típico da pessoa consciente.
Saber escolher permite que o meu homem avance ao longo do seu caminho de crescimento psicoespiritual.
Não vale a pena determo-nos por alguma coisa que não seja importante, por maledicências, por mexericos.
Lembra-te de que tens de morrer e logo darás o sentido certo às coisas.
Quem se deixa envolver demasiado pelo exterior não tem a sua existência nas suas mãos.
Além disso, saber escolher significa que se sabe dar prioridade às coisas que deverão ser feitas ao longo da jornada, como as situações a enfrentar, as pessoas a encontrar.
Por fim, saber escolher provém de um sentimento e de uma ação segundo o nosso eu analisado, não com uma taxa reduzida de neurose pessoal e aceite.
Infelizmente, muitas pessoas não escolhem, mas delegam noutros a escolha.
Mas viver plenamente só se for como primeira pessoa!
Esta é a condição humana.
Quem não vive na primeira pessoa não pode dizer que está vivo.
Saber escolher é uma capacidade, não se pode atingir gratuitamente, mas é o resultado de um exercício, de um percurso.
Só se chega lá através da prática, mediante o exercício.
Se cresceres em conhecimento e consciência, então poderás orientar melhor as tuas escolhas.
Todos os dias, o ser humano é inserido num fluxo contínuo de escolhas.
Mesmo quem julga que não escolhe, já está a escolher: escolhe não escolher.
Muitas são as pessoas que, em vez de assumir a responsabilidade de escolher e de tomar nas suas mãos a sua própria vida, preferem delegar noutros as suas escolhas.
Mas, ao fazerem assim, não vivem.
Creem que, ao não escolher, encontram a tranquilidade; mas, na realidade, morrem.
Creio que este é o mais grave pecado de um ser humano.
Vir à terra e não viver.
A mais terrível blasfémia.
Não realizar a sua tarefa.
Escolhe! Não adies para amanhã!
As coisas fazem-se ou não se fazem!
Se não se fazem, não são feitas; não adiadas.
É preciso viver a vida; não deixar-se viver pela vida.

 

Valerio Albisetti, in Felizes apesar de tudo, ed. Paulinas

in Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura: AQUI.


20
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

Carlo Maria MARTINI. Quem é Jesus? Paulus Editora. Lisboa 2013. 64 páginas.

        Uma das figuras de proa da Igreja Católica. Cardeal. Arcebispo de Milão. Nasceu em Turim, em 1927 (ano em que nasceu Ratzinger, Papa bento XVI), jesuíta como o Papa atual, Jorge Bergoglio, Francisco. Especialista bíblico, Esteve à frente da Diocese de Milão de 1980 a 2002.

       Quando morreu João Paulo II surgiu como um forte candidato a suceder-lhe na cátedra de Pedro. A doença tê-lo-á afastado. Consta que nessa altura era um dos apoiantes de Jorge Bergoglio, afinal os dois pertencia à Companhia de Jesus. É tido como progressista, querendo uma Igreja mais aberta, mais próxima. Sempre se manteve em grande obediência e fidelidade à Igreja e aos Papas Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, vendo ainda eleger o Cardeal Jorge Bergoglio. Faleceu a 31 de agosto de 2013.

       Tem uma basta biografia, como Arcebispo de Milão, Pastor, Biblista. Este pequeno/grande livro é de uma extrema beleza, acessível, assertivo, em forma de pergunta e resposta, numa linguagem simples, terra-a-terra. Por aqui se vê que os santos e os sábios coincidem com as pessoas mais fáceis de entender.

       Algumas das perguntas colocadas: quanta luz para vencer a treva? no teu presépio, há alguém que fale? (Jesus é a Luz nas trevas e palavra no silêncio, façamos como os pastores), o que significa a palavra "Cristo"? A fé de um soldado romano; Jesus tem uma palavra que não dececiona; tenho um bocadinho de sono!; Jesus não é um amigo fácil.

       «Porque é que as trevas nos metem medo? Porque nas trevas há confusão, não se sabe para onde vamos, nem se vê quem está perto de nós e até aprece que estamos sós... parece-nos que ninguém nos pode ajudar. Tudo isto nos espanta... Chega um luz muito pequenina para se poder avançar, para enxergar os outros ao nosso lado, para encontrar as nossas coisas que parecem ter desaparecido, perdidas. E a luz nunca é um 'acaso'. Uma luz resplandece nas trevas significa que Alguém anda à nossa procura.

       Não encontro outra imagem mais bonita para começar a falar de Jesus: Jesus é a luz que Deus acende em nós, para não mais temermos as trevas. E esta luz é Jesus, ainda que desponte pequerrucha como a criancinha que está no presépio, ilumina a noite e as trevas não conseguem apagá-la: desde que esta luz se acendeu no mundo, é indestrutível. Tem o mesmo calor do amor».

Sobre o Cardeal Martini veja, entre muitas coisas que pode encontrar na internet, a notícia da Agência Ecclesia, dias depois da sua morte. O Cardeal que terá evitado ser Papa: AQUI.

Veja-se também a notícia no Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura: AQUI.

Mensagem de Bento XVI sobre Martini:

Caros irmãos e irmãs,

      Neste momento desejo exprimir a minha proximidade, com a oração e afeto, a toda a Arquidiocese de Milão, à Companhia de Jesus, aos familiares e a todos os que estimaram e amaram o cardeal Carlo Maria Martini e quiseram acompanhá-lo para esta última viagem.

       «A tua palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Salmo 119 (118), 105): as palavras dos salmista podem resumir toda a existência deste pastor generoso e fiel da Igreja. Foi um homem de Deus, que não só estudou a Sagrada Escritura como a amou intensamente, fazendo dela a luz da sua vida, para que tudo fosse «ad maiorem Dei gloriam», para a maior glória de Deus.

       E por isso foi capaz de ensinar aos crentes e àqueles que andam à procura da verdade que a única Palavra digna de ser escutada, acolhida e seguida é a de Deus, porque indica a todos o caminho da verdade e do amor. Fê-lo com uma grande abertura de alma, nunca recusando o encontro e o diálogo com todos, respondendo concretamente ao convite do apóstolo de estar «sempre pronto a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça» (1 Pe 3, 15). Fê-lo com um espírito de caridade pastoral profunda, segundo o seu moto episcopal, Pro veritate adversa diligere, atento a todas as situações, especialmente as mais difíceis, próximo, com amor, a quem vivia na perda, na pobreza, no sofrimento.

       Numa homilia do seu longo ministério ao serviço desta arquidiocese ambrosiana dizia assim: «Pedimos-te, Senhor, que faças de nós nascente de água para os outros, pão partido para os irmãos, luz para os que caminham nas trevas, vida para aqueles que andam às cegas na sombra da morte. Senhor, sê a vida do mundo; Senhor, guia-nos para a tua Páscoa; juntos caminharemos para ti, levaremos a tua cruz, gozaremos a comunhão com a tua ressurreição. Contigo caminharemos para a Jerusalém celeste, para o Pai» (homilia de 29 de março de 1980).

       O Senhor, que guiou o cardeal Carlo Maria Martini em toda a sua existência, acolha este infatigável servo do Evangelho e da Igreja na Jerusalém do Céu. A todos os presentes que choram a sua perda, chegue o conforto da minha Bênção.


18
Nov 13
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Cardeal Jorge MEDINA ESTEVEZ. Porquê batizar o meu filho? Paulus Editora. Lisboa 2013, 62 páginas.

       É o Sacramento do Batismo que nos abre as portas da Igreja. Na água e no Espírito Santo tornamo-nos novas criaturas, de Cristo, com Cristo e para Cristo, formando o Seu Corpo que é a Igreja. Os Sacramentos constituem um todo de graça e salvação. Deus veio até nós, em Pessoa, em Jesus Cristo. Com a Sua vida, mensagem, morte e ressurreição, oferenda total a Deus em favor de todos os homens. Com a Sua ressurreição e ascensão aos Céus, Jesus permanece entre nós, de forma especial pela graça sacramental que nos insere na comunidade cristã, seguidores de Jesus.

       Neste livrinho de bolso, o Cardeal Medina Estevez, de uma forma simples e acessível, introduz a importância do Sacramento do Batismo, porta da Igreja, fundamentando com os textos sagrados, a evolução histórica, a passagem do batismo de adultos para o batismo de crianças, o símbolos, os intervenientes, pais, padrinhos, comunidade.

       Na apresentação deste precioso contributo, o Cardeal António Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto, sublinha a satisfação de apresentação deste livro, que "toca uma realidade fundamental e muito alegre, cheia de esperança e de luz para a nossa vida, algo que nos atinge decisivamente". Este "texto não é para 'especialistas' mas para pessoas simples de coração, para todos... tem um carácter e um estilo fácil, belo e profundo, eminentemente correto, pedagógico e educativo...".

       Depois de dedicar um capítulo à missão dos padrinhos, o autor procura responder a algumas questões mais prementes: quando se deve batizar, onde, quem preside à celebração do batismo, se uma criança morrer sem ser batizada para onde vai, batismo em criança ou na idade adulta?

       Voltamos ao prefácio: "Este pequeno e ao mesmo tempo grande livro constitui um chamamento a viver o Batismo, a viver a nossa vida de batizados em Cristo como filhos de Deus: viver como santos e purificados, como corresponde ao nosso ser batismal; viver com autenticidade, verdade e coerência a realidade do batismo".


16
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

       Deus vê o interior, não julga aparências nem ilusões. O Evangelho deste XXXIII Domingo do Tempo Comum traz-nos o olhar de Jesus que trespassa as pedras grossas e imponentes do Templo de Jerusalém e vai para além das vistas curtas que olham para as piedosas ofertas. «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído».

       Discípulos e multidão ficam atónitos diante das palavras de Jesus. Como é que o majestoso edifício poderá em breve ruir? Porém, isso não preocupa Jesus, pois é uma ruína exterior, é pedra, é ouro e prata, não toca a alma do ser humano, ainda que tenha resultado do esforço e do sacrifício, e da religiosidade simples e generosa de muita gente. O que O preocupa é a vida, o interior, a pessoa. Perante o descalabro daquilo que nos rodeia pode advir o desespero. As dificuldades existem. Sempre existiram e hão de continuar a persistir. “Os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos” (Bento XVI, em 24/4/2005).

       Jesus prepara-nos para esses dias, prevenindo-nos, dando-nos confiança: «Tende cuidado... Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu... deitar-vos-ão as mãos e hão de perseguir-vos… Tereis ocasião de dar testemunho. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá».

       2 – «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas... nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá».

       Parece um exemplo caricato, tendo em conta que basta repararmos nas cabeças dos que estão à nossa beira para logo vermos que muitos já muitos cabelos perderam. Contudo, Jesus mostra com delicadeza e de forma simples que mesmo as pequenas coisas contam para Deus, ainda que pareçam insignificantes ou passem despercebidas.

       No Dia do Exército, a 28 de outubro, em Lamego, D. António Couto, na homilia, deixava-nos este sublinhado lapidar: “Rezar não é para beatos e beatas de trazer por casa. Rezar é para militares e militantes. Rezar é um ato de verdade e de coragem, que implica o máximo risco. Trata-se, no fortíssimo dizer de Jeremias, de «empenhar [ou penhorar] o coração» (Jer 30,21)”.

       Assim a oração, assim a fé. A fé exige pessoas corajosas, valentes, capazes de lutar e discutir com Deus.

       Perante os reveses da vida não é fácil suportar a paciência e a alegria da fé. Há dias que apetece desistir, protestar com Deus, questionar a Sua proximidade e o Seu amor por nós.

 

       3 – «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

       Vale a pena reler, a propósito, duas intervenções, respetivamente, do Papa Bento XVI e do Papa Francisco.

       Aos jovens, em 2011, Bento XVI contrapõe a Luz da Fé às trevas e à escuridão: «Ao nosso redor pode haver a escuridão e as trevas, e todavia vemos uma luz: uma chama pequena, minúscula, que é mais forte do que a escuridão, aparentemente tão poderosa e insuperável. Cristo, que ressuscitou dos mortos, brilha neste mundo, e fá-lo de modo mais claro precisamente onde tudo, segundo o juízo humano, parece lúgubre e sem esperança. Ele venceu a morte – Ele vive – e a fé n’Ele penetra, como uma pequena luz, tudo o que é escuro e ameaçador. Certamente quem acredita em Jesus não é quem vê sempre só o sol na vida, como se fosse possível poupar-lhe sofrimentos e dificuldades, mas há sempre uma luz clara que lhe indica um caminho, o caminho que conduz à vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Os olhos de quem acredita em Cristo vislumbram, mesmo na noite mais escura, uma luz e veem já o fulgor dum novo dia».

       Na sua primeira Carta Encíclica, Lumen Fidei (A Luz da Fé), o Papa Francisco assume a reflexão do Seu predecessor, ultrapassando o preconceito que olha para a fé como algo obscuro que impede pleno acesso à razão iluminada. A fé, com efeito, é Logos, Palavra encarnada, razão, dá sentido à vida, e onde muitas vezes a razão não chega, «a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho».


Textos para a Eucaristia (ano C): Mal 3, 19-20a; Sl 97 (98); 2 Tes 3, 7-12; Lc 21, 5-19

 

 

(Para refletir, e para preparar e/ou acrescentar à homilia, uma pequena história: clique AQUI)


15
Nov 13
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ANTONIO SPADARO. Ciberteologia. Pensar o cristianismo na era da internet. Paulinas Editora, Prior Velho 2013, 192 páginas.

        Uma sugestão de leitura que antes nos foi sugerida. Quando sugerimos uma leitura, fazemo-la por ser envolvente, pelo conteúdo, pela forma, pela beleza, pela importância deste ou daquele texto. Na última Assembleia do Clero, da Diocese de Lamego, no dia 5 de outubro de 2013, alguém, em plenário, recomendou esta leitura. Seguindo a recomendação, logo procurámos o livro, e depois da nossa leitura, recomendamo-lo nós também.

 

       António Spadaro, diretor da Revista Cevittá Cattolica, entrevistou há pouco tempo o Papa Francisco, o que o tornou bem mais conhecido. A entrevista, de que já demos nota, é a primeira grande entrevista do Papa Francisco, concedida às revistas da Companhia de Jesus, a que também o papa pertencia. Spadaro é consultor nos Pontifícios da Cultura e das Comunicações Sociais. É docente na Universidade Gregoriana.

       Ao longo dos tempos têm-se dedicado a refletir sobre os meios de comunicação social, nomeadamente no contexto da REDE. O livro Ciberteologia é resultado das reflexões colocadas no blogue com o mesmo nome, com conferências dadas, com investigação e estudo.

       É uma obra de pensamento amadurecido. Apresenta a Internet como um ambiente humano. Não apenas um instrumento, ou um meio, para chegar mais longe, mas uma realidade que facilmente passa do virtual ao encontro.

       São muitos os termos presentes nestes meios que são transferidos da teologia: justificar, apagar, partilhar, grupos, busca, pesquisa, caminho, links, salvar, converter, navegar, home (casa, o ambiente da família). Linguagem da teologia na internet, mas também termos que se tornam mais compreensíveis quando voltam para a teologia.

        Antonio Spadaro traça a evolução técnica da rede, a grande revolução, a necessidade de refletir sobre este ambiente humano. As pessoas estão interligadas, conectadas, de certa maneira, em comunhão. Quando se fala de internet fala-se de vida, e não de fios, cabos, modems, gadgets. É uma experiência de vida. Um EU que se encontra com um TU. A internet é uma ambiente de evangelização.

       Sublinha-se no livro, e na entrevista que se segue, que a Internet não substitui o encontro pessoal, como não substitui a liturgia da Igreja, a inserção na comunidade crente. Ambiente digital que ajuda a conhecer o mundo, aproxima as pessoas,...

       A era da Rede também altera a comunicação, influencia a evangelização, a educação, a relação com a Igreja e com as instituições tradicionais.

       Nos dias 3 e 4 de outubro de 2013, decorreram, em Fátima, as Jornadas de Comunicação Social. Um dos convidados foi precisamente Antonio Spadaro. Segue-se a conferência que ajuda a perceber o que significa ciberteologia, motivando a leitura deste livro, ou a leitura deste livro poderá despertar um maior interesse para escutar esta exposição:

Veja também a pré-publicação de Cibertelogia na página do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura: AQUI.


11
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       1. Está na moda a palavra “Seminário”. Usa-se na Universidade e para múltiplos encontros de estudo e de trabalho. Neste âmbito alargado, um Seminário é um tempo onde as pessoas se reúnem num lugar mais ou menos redondo para porem em comum as suas ideias e pontos de vista acerca de uma determinada temática ou situação. É cada vez mais da experiência comum que ninguém possui a verdade toda inteira, bem redonda, como diziam os antigos filósofos gregos, sendo, por isso, enriquecedores todos os contributos e todos os pontos de vista. Ainda por cima num tempo em que os saberes tendem a especializar-se, é sempre bom saber o contributo que pode trazer para a discussão o vizinho do lado. Sempre neste sentido lato, um Seminário é aquilo que a raiz da palavra indica: uma sementeira.

       2. Mas hoje quero referir-me ao Seminário em sentido estrito e específico, que é o lugar, o tempo e o modo onde e como a Igreja reúne e forma os candidatos ao sacerdócio. O lugar e o modo é aqui uma casa ampla e simples, uma tenda plantada no coração da cidade dos homens, com espaços interiores e exteriores, com vistas para Deus e para o mundo, dado que quem se prepara para o sacerdócio tem de aprender a ver e a ouvir Deus de perto e a ser visto e ouvido por Deus, como tem igualmente de estar atento às situações concretas em que vivem os homens e mulheres deste tempo, pois deve saber ouvir os seus gritos de alegria ou de tristeza, e deve saber levar-lhes a mensagem do Evangelho, e dizer a cada um: «“Tu também és amado por Deus em Cristo Jesus”. E não apenas dizê-lo, mas pensá-lo realmente. E não apenas pensá-lo, mas fazê-lo acontecer, de modo que essa pessoa sinta e descubra que há nela alguma coisa já salva, alguma coisa maior e mais nobre do que pensava, e desperte assim para uma nova consciência de si» (Eloi Leclerc, Sagesse d’un pauvre, Paris, Éditions Franciscaines, 1984, p. 150). Também de forma diferente dos Seminários que por aí se realizam, o tempo do Seminário para a formação sacerdotal não é um dia nem uma semana ou um semestre, mas a vida toda.

 

       3. Os Seminários de estudo ou de trabalho e o Seminário que prepara para a vida sacerdotal têm na sua raiz a semente. Semente e semeador e campo lavrado e semeado são metáforas que povoam a Escritura dos dois Testamentos, e indicam um modo de vida. O agricultor olha com carinho o chão que trabalha, as árvores que planta, os frutos que vê nascer e amadurecer. Lançar a semente é um tempo e um modo importante, mas é a colheita que ele tem sempre em vista. A colheita é um tempo de alegria (Sl 126,5-6). De acordo com o Evangelho, é pela colheita e pela alegria que devemos afinar sempre o nosso olhar e os critérios com que contemplamos a seara de Deus. Assim deve ser também o Seminário: tempo de nos maravilharmos com as árvores que florescem. Quando desaparece a flor, surge o fruto. No dizer de Jesus, o Senhor que servimos é o Senhor da colheita, da estação dos frutos, da alegria. Por isso, manda-nos rezar assim: «Pedi ao Senhor da colheita (therismós) que mande trabalhadores para a sua colheita (therismós)» (Lc 10,2). Ou somos da estação dos frutos e da alegria, ou andamos certamente perdidos.

 

       4. A missão específica do Seminário, dizem os Documentos do magistério da Igreja, é «formar Pastores para a Igreja de hoje, no mundo de hoje» (Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, n.º 61; Normas Fundamentais para a Formação Sacerdotal nas Dioceses Portuguesas, n.º 129 e 162). O Pastor está atento às suas ovelhas e conhece-as uma a uma, cuida delas com premura, dá a vida por elas (Jo 10,1-18). É, por isso, que, na sua vertente humana, o Seminário deve ser uma comunidade impregnada de profunda amizade e caridade, de modo a poder ser considerada uma verdadeira família, que vive na simplicidade, na confiança e na alegria. E, na sua vertente cristã, deve configurar-se como comunidade de discípulos do Senhor Ressuscitado, reunida à volta da alegria do Senhor Ressuscitado, formada dia a dia na leitura e na meditação da Palavra de Deus, no sacramento da Eucaristia e no exercício da justiça e da caridade fraterna. Uma comunidade onde resplandeça o Espírito de Cristo e o amor para com a Igreja. Uma comunidade orante, onde se aprende e se cultiva o vocativo da oração e o imperativo da comunhão (Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, n.º 60).

       5. O ambiente simples e dinâmico do Seminário ajudará cada um dos candidatos ao sacerdócio a alcançar uma compreensão cada vez mais profunda das exigências e da beleza da sua vocação, em ordem à aceitação, cada vez mais radical e definitiva, do projecto de Deus. Os formadores saberão acompanhar cada candidato, e levá-lo a ver a sua vocação à luz da Igreja, da sua doutrina, da sua prática pastoral e litúrgica e da sua legislação, de modo a fazer crescer no coração de cada candidato um coração novo à medida de Cristo, conforme ao coração de Cristo, sensível às dores de cada ser humano, para saber ser, neste mundo controverso, verdadeiro semeador de esperança e ceifeiro feliz.

 

       6. Sábia e inteligentemente, a documentação da Igreja tem salientado que, «de sua natureza, a formação sacerdotal exige uma continuidade, ao longo de toda a vida, com incidência nos primeiros anos de sacerdócio» (Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, n.º 70-76; Normas Fundamentais para a Formação Sacerdotal nas Dioceses Portuguesas, n.º 152). Isto quer dizer que devemos humildemente saber estar sempre em formação, sentados na escola do nosso verdadeiro Mestre e Senhor.

 

       7. Atravessamos uma vez mais a Semana dos Seminários, que este ano acontece de 10 a 17 de Novembro, subordinada à temática de sabor paulino «Para que Cristo se forme em nós» (cf. Gálatas 4,19). Rezemos ao Senhor da colheita para que seja Ele, Bom Pastor, a velar sempre pelo seu rebanho, e para que nos ensine a ser Pastores e formar Pastores segundo o seu coração de Pastor e Pai premuroso. E sejamos generosos no Ofertório de Domingo, dia 17, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários de Lamego e Resende. E que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, e faça frutificar o labor dos nossos Seminários.

 

Lamego, 1 de Novembro de 2013, Solenidade de Todos os Santos

+ António, Bispo de Lamego

 

FONTE: Diocese de Lamego.


09
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Deus «não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».

       O centro gravitacional do cristianismo é a Ressurreição de Jesus. Sem Ressurreição, a morte de Jesus teria sido uma entre milhares, sem história para contar que não a de um indivíduo sepultado nas tumbas de Jerusalém. Com a aparição do Ressuscitado surge a Igreja, comunidade dos Seus apóstolos e discípulos. O anúncio do Evangelho inicia após e por causa da ressurreição.

       A luz da Páscoa permite re-ler a vida e missão de Jesus. Muitos dos acontecimentos ficariam como meras recordações para os amigos mais próximos. A ressurreição é a razão de ser da fé cristã, sem a qual não adiantaria falar de vida nova, de eternidade, de futuro, de Alguém que garantisse a nossa identidade para lá do tempo e da história.

       Nos primeiros dias deste mês, a ida aos Cemitérios seria desoladora e desagregadora. Se esta fosse a última morada, seria muito pouco para os nossos anseios humanos, para a nossa esperança. Melhor, seria uma esperança vã. E uma esperança vazia equivaleria a uma fé vazia, sem sentido, inútil, ilusória. A nossa fé baseia-se na Ressurreição de Jesus. É Ele a nossa esperança, a esperança de n'Ele ressuscitarmos e reencontrarmos aqueles a quem queremos bem e já partiram. Por isso rezamos por eles, trazendo-os à mesa da Eucaristia.

       2 – Depois da Ressurreição, Jesus reúne os discípulos, dá-lhes o Espírito Santo, constitui-os como Seu Corpo. E com eles também nós. Somos a Sua Igreja. Ele a Cabeça. Nós os membros. A vida eterna, a promessa de uma morada junto do Pai, a garantia que nenhum dos Seus discípulos se perderia, o desafio para fabricar bolsas que não se rompessem – tudo isto é sancionado com a Sua ressurreição.

       Recuemos um pouco, ao tempo histórico de Jesus, aproximemo-nos d'Ele, como fizeram muitas pessoas naquele dia. Habituados a transacionar bens materiais, os saduceus olham para Ele com desconfiança, alguns mais preocupados com a própria carteira: tudo se resolve cá em baixo. A ressurreição poderá ser uma ilusão psicótica. À socapa alguém pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe mulher, mas sem filhos, esse homem deve casar com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos... o mesmo sucedeu aos sete, que morreram e não deixaram filhos. Por fim, morreu também a mulher. De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?»

       Bela maneira de pregar uma partida a Jesus, socorrendo-se dos Escritos Sagrados. Jesus, a Palavra de Deus em Pessoa, responde também com a Palavra de Deus: «Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça-ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».

       A ressurreição é um acontecimento NOVO. Não é conquista humana, é dádiva de Deus, em Cristo Jesus.

 

       3 – Não é fácil falar de morte e de vida depois da morte. Mas mais difícil seria aceitar que tudo desaparece com a morte. Então, tudo se resumiria ao cemitério, a vida dos nossos antepassados e a nossa vida, cujo futuro seria sombrio, pois desembocaria no desaparecimento definitivo de tudo o que fomos/somos, ficando, quando muito, uma memória residual da nossa passagem pelo mundo.

       A fé na Ressurreição só em Cristo recebe a LUZ definitiva. A ressurreição de Jesus abre-nos definitivamente as portas da eternidade e a comunhão plena com Deus. E não é apenas um acontecimento futuro, é realidade em Cristo e na Sua Igreja. Fomos batizados na morte e ressurreição de Cristo, morremos para o pecado para n'Ele ressuscitarmos como novas criaturas, pela água e pelo Espírito Santo.


Textos para a Eucaristia (ano C): 2 Mac 7,1-2.9-14; Sl 16 (17); 2 Tes 2,16-3,5; Lc 20,27-38.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE


07
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar |  O que é?


04
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 18:12link do post | comentar |  O que é?


02
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». O convite de Jesus, feito a Zaqueu, e a cada um de nós, é extraordinário. Zaqueu era cobrador de impostos, publicano, profissão geradora de ódios, pois o que cobravam era fruto do trabalho, do sustento e das canseiras de muitas famílias, algumas das quais com escassos recursos, e ainda por cima os impostos cobrados era direcionados para o imperador romano, a potência invasora, e para as autoridades locais. Por outro lado, os cobradores de impostos, muitas vezes, aproveitavam o posto que ocupavam e a proteção que tinham para cobrar maquias consideráveis para si próprios.

       Jesus entra na cidade de Jericó. Ali vive um homem rico, o chefe dos cobradores de impostos. Zaqueu é de pequena estatura, de vistas curtas, pouco mais vê que a sua carteira. Mas para ver Jesus é necessário ter os olhos bem abertos, e sobretudo o coração. Impelido a ver Jesus, sobe a uma árvore, eleva-se do chão e acima da multidão.

       Entretanto, Jesus levanta o olhar e interpela-o: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». É preciso descer, colocar-nos ao nível de Jesus, que sendo de condição divina, quis ser um de nós, para no meio de nós nos ensinar a ser irmãos, porque filhos de Deus, do mesmo Pai. Se ficarmos no lugar em que nos encontramos, no nosso pedestal, na nossa vidinha, poderemos até ver Jesus, mas à distância, e apenas com os olhos, não com o coração. Zaqueu desce rapidamente e recebe Jesus com alegria.

       É uma alegria convertida em compromisso: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Não basta acolher o amor de Deus, é necessário que este AMOR maior seja serviço aos outros.

       Vêm então os reparos daqueles que, vendo Jesus, ainda não O descobriram, ainda não se deixaram tocar pela Sua presença, pelo Seu olhar: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Jesus não se deixa enredar na cusquice e conclui: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».

       2 – O Evangelho é um desafio de salvação. Devemos manter aceso em nós o desejo de querer ver Jesus, de O encontrar, de O seguir, de O levarmos para casa, de O trazermos para a nossa vida.

       Só a humildade nos coloca no caminho de Jesus, de contrário Ele passa e nós ficamos em cima do sicómoro, ou comodamente a murmurar, pelos outros que avançam caminhando com Ele. O chamamento é para mim. É para ti. Ele passa. Faz-Se caminho, verdade e vida. Vem habitar connosco, vem ficar em nossa casa.

       Se a nossa estatura é pequena, há que procurar mais afincadamente, abrir o coração, fazer com que as nossas vistas sejam mais largas, alcancem mais longe. É necessário procurá-l’O onde Ele vai passar. Escutar o seu convite. Segui-l'O para onde for. É necessário descer do nosso comodismo e não deixar que Ele passe adiante sem nós. Também São Paulo caiu do cavalo, do alto do seu orgulho e da sua presunção. Jesus bate à nossa porta, grita-nos aos ouvidos, envia-nos um impulso ao coração, como fez aos discípulos de Emaús.

       Acolher Jesus, segui-l'O deixando que entre em nossa casa, gera ALEGRIA que transborda, contagia e se espalha para as casas vizinhas, para as pessoas que se cruzam connosco. Ou então ainda não O encontramos. Não basta acolher o amor de Deus, é necessário que este AMOR maior seja serviço aos outros.

       Hoje a salvação quer entrar em minha casa, na tua, na nossa casa. Por mais perdidos que estejamos, Jesus vem salvar-nos, introduzindo-nos na comunhão de Deus. Levemos a outros esta alegria. Não impeçamos ninguém de se aproximar e de ver Jesus. A multidão impedia que Zaqueu chegasse perto de Jesus. Não sejamos empecilho para os outros pela nossa opacidade, pela nossa tibieza. Ao invés, deixemo-nos contagiar e contagiemos. Evangelizados e evangelizadores.


Textos para a Eucaristia (ano C):

Sab 11, 22 – 12, 2; Sl 144 (145); 2 Tes 1, 11 – 2, 2; Lc 19, 1-10.

 


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